Grupo Ubuntu: Escolhendo novos caminhos

 

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Em 04.12.2014 precisávamos escolher um nome para chamar nosso coletivo de trabalho, que já funcionava desde 2011,  na organização de eventos de Danças Circulares em Belém do Pará.

Queríamos um nome que nos inspirasse na aprendizagem do trabalho coletivo. Foi quando escolhemos nos chamar Grupo Ubuntu.

Nenhum nome mais adequado.

Ubuntu nas línguas zulu e xhosa – línguas bantu, do grupo nguni, faladas pelos povos da África Subsaariana – é uma palavra que não pode ser traduzida literalmente.

Exprime a consciência da inter-relação entre o indivíduo e a comunidade.

Segundo o arcebispo anglicano Desmond Tutu, Ubuntu significa “a minha humanidade está inextricavelmente ligada a tua humanidade”.

Este nome, que funcionou como um despertador em nossa memória, de algo adormecido que diz respeito a nossa natureza humana, nos motivou a realizar muitas e belas atividades.

Em novembro de 2016 emergiu uma forte necessidade de hibernar. Aquietar para avaliar profundamente o como estávamos.

Buscar aquele “vazio” entre-histórias, prenhe de transformações, onde podemos parar para refletir e escolher caminhos, com liberdade e não por hábito.

Relações se movimentam e quando queremos aprender com elas, sobre elas, cabem momentos de quietude, de redução de ritmo, com diálogos internos e com os outros, para reavaliar e promover transformações necessárias e possíveis.

Nossa pausa propiciou a gravidez de outra edição do Grupo Ubuntu.

Após a movimentação para re-encontrar nosso norte, estamos de volta. Renascidos para continuar nossa jornada em direção aos objetivos que continuam os mesmos: aprender, exercitando no trabalho coletivo, como é essa história de sentir-se Um com o outro, tão semelhante, com nossos dons a serviço do Todo.

Alguns aprendizados desse instante de re-edição?

Quando nos deixamos ou não seguir o fluxo do Universo ele nos movimenta. Por mais que alimentemos a ilusão de que estamos  decidindo sozinhos, dançamos relacionalmente regidos pela inteligência deste Universo do qual fazemos parte.

O que podemos escolher é o como seguir. Ou resistir. Se nadamos à favor da corrente ou continuamos tentando ir sofridamente nadar contra a maré.

Escolhemos: queremos seguir o fluxo, com o prazer gerado pela tranquilidade!

Uma estratégia para nos proteger do vírus da competição que está assolando as diversas dimensões das relações humanas?

Neste momento grupal nossas fronteiras sub-grupais de origem se diluíram. São desnecessárias quando queremos atingir o mesmo objetivo. Somos apenas um grupo de pessoas dançantes à serviço.

Ao nos dividirmos por semelhanças, enfatizando nossas diferenças em relação a outros, alimentamos a ilusão de separação, nos classificamos, nos hierarquizamos  e logo em seguida a competição se instala, com suas velhas e conhecidas lutas para fazer valer nossas idéias e posições.

Queremos priorizar a identificação de nossos desejos comuns: somos movidos pelo mesmo desejo de aprender a ser um belo par para outros.

Assim como harmonia musical tem relação com a ação de acompanhar, queremos desenvolver, para ser companhia, a paciência, a capacidade de contemplar o outro para aprender sobre ele e uma flexibilidade cada vez maior, que nos possibilite ser apoio uns para os outros. E juntos tornar nossa vida mais maravilhosa.

Queremos o novo, sim. Dialogando com o antigo, sem pressa, respeitando o que resiste pois,  o que resiste, está se defendendo. Ainda precisa continuar.

Queremos transformações num ritmo que propicie o prazer de degustar a caminhada e a delicadeza no cuidado com todas as pessoas envolvidas e com nossas relações com os outros, delicados seres como nós.

E queremos comunicação transparente, que nos ajude a co-construir sentidos e confiança.

Por esta caminhada do Grupo Ubuntu  nossa gratidão é imensa  a todos e todas que dele fizeram parte.

Algumas pessoas passaram brevemente.

Outras ficaram muito mais tempo e deixaram profundos e preciosos legados.

Pelo tempo e energia investidos, pela entrega e dedicação, nossa infinita gratidão.

Respeitamos nossa história, respeitamos nossas raízes e vocês continuarão circulando em nossas veias grupais. Para sempre.

Grupo Ubuntu

(Amanda Mello, Ana Cláudia Costa, Ana Rubim, Augusta Von Paungarten , Angela Oliveira,  Edilene Rodrigues, Jerônimo Iless, Lena Mouzinho, Liani Mouzinho, Madalena Mendonça, Magno Lins, Márcia Raiol, Mauro Oliveira, Pollyana Pires e Roberta Moda)

Informando: O Grupo Ubuntu realiza atualmente as Rodas Abertas a Comunidade no Espaço São José Liberto e na Casa das Artes, além de Oficinas de Danças Circulares, com focalizadores convidados.

Belém, 07.07.2017

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