ALTRUÍSMO NAS CRIANÇAS

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Que é altruísmo?

A palavra é derivada do latim. Alter significa outro.

O filósofo Thomas Nagel define altruísmo como “uma inclinação para agirmos considerando as necessidades de outras pessoas, com ausência de segundas intenções.”

Sthefen Post se refere a um prazer desinteressado produzido pelo desejo de bem estar do outro, associado a atos – cuidados e serviços – demandados  para este fim.

Daniel Batson, psicólogo, diz que altruísmo é produto de uma motivação cuja finalidade última é aumentar o bem estar do outro.

Algo como: “Meu objetivo é fazer bem ao outro. Faço o bem ao outro para realizar meu próprio desejo. O bem do outro é uma finalidade em si. Percebo o outro como um legítimo outro, como eu.”

Conforme Kristen Monroe, pessoas que desenvolvem altruísmo  tem uma maneira diferente de olhar: onde a maioria vê um “estranho”, elas vêem um semelhante. Identificam a humanidade em comum nos humanos.

É esta perspectiva que está no cerne do altruísmo.

No início da vida

LegadoPesquisas realizadas ao longo dos últimos trinta anos por Michael Tomazello e Félix Warneken, do Instituto Max Planck de Leipzig, mostram que desde a idade de um ano, enquanto as crianças ainda estão aprendendo a andar e a falar,  já se manifestam nelas, espontaneamente, comportamentos de ajuda mútua e de cooperação. Comportamentos que não tiveram tempo suficiente para serem ensinados por adultos.

Mais tarde, em torno dos cinco anos, esta tendência é influenciada pela aprendizagem das relações sociais, quando a criança assimila progressivamente as normas culturais e valores em vigor na sociedade na qual ela está.

O psicólogo e pediatra Richard Tremblay e sua equipe canadense, que acompanhou a evolução de milhares de crianças durante muitas décadas, demonstrou que é entre dezessete e quarenta e dois meses (três anos e meio), que as crianças recorrem com mais freqüência a agressão física, mesmo que de forma inofensiva em função da pouca idade.

O pico de expressões de agressão física coincide paradoxalmente com manifestações de cooperação altruísta.

Acontece que, nesse momento, as emoções começam a se manifestar plenamente na criança, enquanto seu sistema cerebral de regulação emocional ainda não está apto.

Por esse motivo é possível que crianças nesta etapa passem, em segundos, do riso ao choro e de novo ao riso.

Na maioria das crianças, a incidência de agressões reduz próximo aos quatro anos de idade, na medida em que aprendem a melhor regular suas emoções e sua inteligência emocional se desenvolve. As neurociências confirmam que é por volta de quatro anos que começam a funcionar as estruturas do córtex, que permitem a regulação dos episódios emocionais desencadeados por redes cerebrais mais primitivas  ligadas ao medo a raiva e ao desejo.

Do nascimento aos doze meses

Sagi e Hoffman observaram que apenas um dia após seu nascimento, um bebê que ouve outro chorar, também começa a chorar por “contágio emocional”, capacidade precursora da empatia.

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De um a dois anos

Entre dez e quatorze meses os bebês reagem à aflição dos outros de uma maneira ativa: olham a pessoa com ansiedade, gemem, choram ou ainda se distanciam do contato com a pessoa. Alguns nesse momento olham para a mãe ou se aproximam dela como para pedir ajuda.

Próximo aos quatorze meses, bebês começam a manifestar solicitude em relação a uma pessoa em dificuldade, aproximando-se dela, tocando-a gentilmente, abraçando-a e dando a ela algum objeto de que goste.

Acima de dezoito meses buscam ajuda como reforço para ajudar alguém: chamam um adulto, acarinham e dão a pessoa objetos que sabem, por experiência, que são próprias para consolar.

Nesta fase as crianças reconhecem especificamente uma situação na qual alguém precisa de ajuda e se movimentam para ajudar, sem necessitar de outra recompensa.

É entre quatorze e vinte e quatro meses que a criança adquire mais claramente uma consciência de sua identidade. Quando reconhece sua imagem no espelho e diferencia mais suas emoções das dos outros.

Por volta dos vinte e quatro meses elas tornam-se capazes de falar sobre suas emoções e sobre as dos outros.

Dos dois aos cinco anos

Durante seu segundo ano, as crianças entram na fase da “empatia”, segundo Hoffman e se tornam capazes de considerar as coisas do ponto de vista do outro.

A linguagem também já permite ampliar o leque das palavras que identificam as emoções, com as quais se entra em ressonância empática.

Passam a experimentar empatia por pessoas que não estão fisicamente presentes e a estendê-la a grupos maiores como as “crianças pobres” e “pessoas doentes”.

São capazes desde já de reconfortar e de compartilhar seus objetos para cooperar.

São capazes de cooperar com seus pais em atividades cotidianas. E até se oferecem para apoiar.  Ajudam sua família e a outras pessoas, menos conhecidas.

É somente a partir dos cinco anos que começam a discriminar, reservando apoio diferente aos que não fazem parte de seu grupo.

E tudo isso na ausência de recompensa externa.

Encorajamentos e recompensas

2014_04_13_giving-shutterstock-139846294-webonly_rsz_crpNas experiências em que adultos pediam ajuda as crianças foi observado que, enquanto o adulto fazia verbalmente o pedido de ajuda para que a criança compreendesse que estava em dificuldade, na maior parte do tempo sequer olhava com atenção na direção delas. E elas continuavam ajudando, mesmo sem o contato visual que poderia funcionar como estímulo.

Em dado momento a entrada das mães das crianças no lugar onde se realizava a pesquisa foi permitida. O objetivo era verificar se o encorajamento da mãe alteraria o comportamento dos bebês no sentido de aumentar sua disposição para ajudar. Não foram observadas alterações significativas.

Para continuar observando possíveis alterações no entusiasmo dos bebês em ajudar a partir da entrada de outros estímulos, o pesquisador escolheu distraí-los com brinquedos, enquanto se colocava em outra situação de necessidade. Ante sua solicitação de ajuda, com freqüência elas interrompiam a brincadeira onde estavam engajadas, para ajudar e depois voltavam a brincar.

A recompensa como conseqüência da ajuda também foi uma variável incluída.

As crianças que foram recompensadas por ajudar, em geral, ofereceram menos ajuda depois. Aquelas a quem nada foi oferecido continuaram ajudando como antes.

Este resultado, bastante surpreendente, trouxe confirmação suplementar a hipótese de que crianças são muito mais movidas por motivações internas do que por estímulos externos. 

Se uma criança é recompensada por ter dado apoio a outra pessoa, há um forte risco de que venha a acreditar que agiu para receber a recompensa e não pela pessoa que se beneficiou por seu ato.

Ao que parece, ela adquire uma motivação “extrínseca” e não age depois com o objetivo de ajudar a pessoa mas, para conseguir a vantagem.

Quando impedimos uma criança de exercitar seu potencial de generosidade premiando-a, ela tende depois a se comportar de um modo menos altruísta. O foco do prazer se modifica.

Solicitar apoio e ajuda a uma criança contribui para que ela exercite esse “músculo”.

Elogios e críticas

Devemos elogiar uma criança quando ela age bem e criticá-la em situações contrárias?adesivo-gratida-o_1

Os estudos mostram que ao explicarmos a uma criança que ela é capaz de atitudes de altruísmo e de gentileza, ela desenvolverá a tendência a se comportar de forma benevolente quando surgir a oportunidade. Isso é bem diferente de elogios.

A demonstração de gratidão pela ajuda que ela deu, contribuirá para que ela tenha mais clareza de que seu objetivo foi alcançado: pura e simplesmente ajudar.

E, quando ela se comportar de forma danosa?

A estratégia proposta, depois das pesquisas é a de, conversando, contribuir para que ela se dê conta de que feriu, facilitando para que adote o ponto de vista do outro, sem rotulá-la de “criança má”, “feia” e etc

Se a convencem de que ela é uma “criança má”, na próxima oportunidade tenderá a se comportar tal como ela passa a acreditar que é: “má”.

Passará a acreditar que a maldade é da sua natureza.

E agirá de conformidade com essa auto-imagem.

Nossa tendência a ajudar é inata

Michael Tomasello também demonstra que os comportamentos de cooperação e de ajuda desinteressada manifestam-se espontaneamente nas crianças.

Manifestam-se entre 14 e 16 meses, muito antes de que seus pais tenham-lhe  inculcado valores e regras de sociabilidade.

Tais comportamentos não são, portanto, incutidos por pressão externa.

E são observados nesta mesma fase da vida, em muitas culturas diferentes.

Então, não são frutos de uma cultura ou da intervenção da família.

Ao que tudo indica esses comportamentos já estavam presentes no ancestral comum aos humanos e chimpanzés. A solicitude em relação a nossos semelhantes, portanto, está profundamente ancorada em nossa natureza.

Quando as normas sociais moderam o altruísmo espontâneo

download (1)Conforme Warneken e Tomasello para que o altruísmo possa se manter ao longo das gerações,  precisa estar associado a mecanismos de segurança que protejam os indivíduos contra a exploração de uns pelos outros. Este é um cuidado que o mundo adulto precisa ter em seus espaços de convivência comunitária para que crianças continuem desenvolvendo o altruísmo. Para tal precisam ser revistos os valores que justificam e até naturalizam a hierarquização do valor dos humanos.

O que torna o altruísmo seletivo a partir dos cinco anos, quando a criança começa a fazer discriminação em função de parentesco e da reciprocidade nos comportamentos?

Os valores e normas sociais que lhe são transmitidas nas suas relações.

O altruísmo inato passa a ser moderado após a criança ter interiorizado as normas da sociedade da qual faz parte.

Senso ético e julgamentos morais

Em pesquisas realizadas pelos psicólogos Nancy Eisenberg e Elliot Turiel foi comprovado que o senso de equidade surge de forma espontânea, em torno dos três anos de idade. E se desenvolve com o tempo.

A equidade é uma disposição altruísta pois busca beneficiar o coletivo.

Crianças tem clara noção do quando estão sendo agressivas, quer tenham sido punidas ou não.

Sabem que estão cometendo algo grave mesmo quando estão sendo ordenadas por um adulto para agir daquela forma.

O pesquisador Jonathan Haidt chegou á conclusão de que o senso ético provém principalmente das intuições: “sei que isso é mau porque simplesmente sei”.

Às intuições se agregam, a posteriori,  a reflexão resultante de processos conscientes e de raciocínios.

A existência de um senso ético é universal mesmo que o teor dos julgamentos morais varie conforme o contexto e as culturas.

Das atitudes de pais mais favoráveis para contribuir para o florescimento desse senso ético está a resposta as solicitações de ajuda do filho, com disposição para cooperar.

Crianças com experiência relacional de autenticidade não se tornam inclinadas a trapacear, mesmo que surja a facilitação para isso. E continuam a realizar a tarefa que lhe foi confiada, mesmo ante a ausência de quem a demandou.

Após a idade de cinco anos

Por volta dos sete anos a criança amplia sua consciência para compreender que o sexo e o pertencimento étnico são características duradouras e que as outras pessoas tem uma história que pode suscitar empatia.

Entre dez e doze anos o comportamento evolui de maneira mais abstrata no que tange a obrigações morais.

Ela já reflete sobre o como conciliar seus atos com o senso moral.

Isso a leva a compreender que alguns sofrimentos humanos tem relação com o pertencimento a uma comunidade oprimida e a experimentar a simpatia em relação a vítimas.

Conforme Nancy Eisenberg as crianças mais propensas a contribuir com outras pessoas em dificuldades, são aquelas que aprenderam como regular suas emoções.

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Crianças que tendem a reagir ao sofrimento dos outros, com mais ansiedade e aflição, são também as mais centradas em si mesmas e com mais dificuldades em estabelecer e manter boas interações sociais. Afastam-se para proteger-se do impacto. Precisam ser apoiadas na aprendizagem do lidar com suas emoções.

A agressividade no decorrer da infância

Richard Tremblay e seus colaboradores da Universidade de Montreal questionaram sobre o que se passava com os comportamentos agressivos de crianças antes da idade de cinco anos.

Constataram que é entre um ano e meio e quatro anos que a freqüência de agressões físicas ( bater, morder, empurrar, agarrar, puxar, atirar objetos e etc) se revelava a mais elevada na vida de um ser humano.

Observaram que a maioria das crianças começam a agredir fisicamente entre doze e vinte e quatro meses.

O mundo da primeira infância, entre dois e cinco anos, pelo que já foi esclarecido antes, é caracterizado por alternâncias rápidas e por extremos. Vai do altruísmo não calculado para a impetuosidade sem limites.

É um período muito importante para se oferecer a criança as condições favoráveis  ao florescimento do melhor dela mesma, dando-lhe cuidado e proporcionando-lhe um exemplo vivo do como é ser aprendiz sempre.

A freqüência das agressões aumenta rapidamente, atingindo um ápice do vigésimo quarto ao quadragésimo oitavo mês e que em seguida declina até a adolescência, primeiramente nas meninas e depois nos meninos.

Durante a adolescência observa-se um ligeiro recrudescimento da agressividade nos meninos (possíveis eventos de violência tendem a surgir em decorrência do aumento da tensão, ansiedade e angústia que podem surgir nesta fase ante os desafios do meio ) mas a tendência a violência vai reduzindo ao longo da vida adulta, na medida em que a regulação emocional vai amadurecendo também.

A consciência da interdependência de todas as coisas

As pesquisas confirmam que a criança experimenta deste tenra idade um sentimento de pertencimento ao grupo: ela é uma entre muitos outros e o outro é um pouco ela mesma.

Esta é a base para que ela coopere.

como_se_relacionar_melhor_com_a_familia_baseimageCom o passar do tempo esse sentimento, por influência do contexto, vai se restringindo a certas categorias de indivíduos e grupos: família, grupos e mais tarde, etnias, religiões e outros fatores de distinção, de divisão e discriminação.

Na adolescência e na idade adulta alguns expandem de novo o círculo de altruísmo e experimentam um sentimento de humanidade compartilhada com outros humanos e de empatia pelos que sofrem.

Afirmação autoritária de poder, retirada de afeição como recurso educativo?

Há adultos que tendem a afirmar sua autoridade de forma radical ou a parar de manifestar sua afeição quando a criança se comporta de um jeito incômodo.

Martin Hoffman distingue as seguintes formas mais comuns de intervenção:

  • A afirmação autoritária de poder vem acompanhada de sérias advertências, ameaças, ordens imperativas, privações de objetos queridos ou de atividades das quais a criança gosta e de castigos corporais.  Essas estratégias produzem um resultado oposto ao que se espera,  pois geram na criança o medo, a raiva e um ressentimento crônico. Além de uma tendência de, na ausência de quem a pune, escolher fazer o que não foi permitido. As punições também tendem a tornar a criança menos empática em relação aos seus semelhantes e a causar danos em sua sociabilidade.
  • Retirada do amor: “Assim mamãe não vai mais gostar de você”. Há pais e mães que manifestam sua irritação e sua desaprovação distanciando-se da criança. Efetivamente, declarando que não gostam mais dela e ameaçando abandoná-la e fisicamente e/ou excluindo-a, condenando-a a ficar só (“Vá já para o canto”, “Vá para o seu quarto e só saia de lá quando eu mandar”) ou, ignorando sua presença, desviando seu olhar dela, recusando-se a falar com ela ou a escutá-la.

A retirada da afeição gera um sentimento de insegurança na criança, que sente que não pode contar com o amor de seus pais, que não tem importância na vida da família e que não faz parte dela.

Alternativa no lidar

As pesquisas mostram por unanimidade que a melhor forma de nutrir o que há de melhor numa criança consiste em exercitar o diálogo, com equidade e benevolência, o que não exclui firmeza e nem inclui permissividade. Uma conversa sem julgar a criança ou rotulá-la e sem partir do princípio de o que ela fez, o fez por maldade.

Há outras possibilidades que podem ser exercitadas pelos adultos, com comprovação de que funcionam:

  • Escutar empaticamente, ajudando-a a identificar os sentimentos que a motivaram e o que ela estava precisando naquele momento e os sentimentos e necessidades após ter agido daquela forma;
  • Esclarecer para a criança porque ela faria melhor se mudasse sua estratégia (seu comportamento) para conseguir o que precisava;
  • Ajudar a criança a ver a situação a partir da perspectiva da outra pessoa e a se dar conta do que fez ao outro e dos danos que isso pode acarretar á pessoa. As crianças são bem mais sensíveis aos apelos da empatia do que as chamadas normas morais abstratas ( “é feio agir assim”,”é errado”, “é maldade”, etc). O objetivo não é culpá-la e sim contribuir para que compreenda empaticamente a outra pessoa e sobre o impacto de suas ações;
  • Identificar junto com ela formas de reparação do dano causado.

A conversa oferece apoio afetivo e firmeza: fornece a criança uma informação clara sobre o que os pais precisam e convida a criança a afirmar sua própria autonomia.

Arrependimento e culpa

Arrepender-se é primeiro constatar.

Ao me arrepender, sinto muito, dando-me conta do mal que fiz a alguém, reconhecendo meu erro, de tal forma que não desejo mais repetir o que fiz e sinto motivação em reparar o dano.

É um sentimento acompanhado de um desejo de transformação. Nos auxilia a considerar o estado em que nos encontramos como ponto de partida do caminho de auto-superação de imaturidades.

Culpa é um sentimento associado a um julgamento negativo sobre o que nós somos.

Enquanto o arrependimento refere-se a um evento e nos faz perceber o como agimos e ao impacto causado, a culpa se estende a tudo o que “eu sou” e nos conduz a rotulação e a desqualificação: “sou mal”, “sou incompetente”, “não presto mesmo” e etc…

Culpa gera tormentas, pois nos leva a um sentimento profundo de desvalor.

Rebaixar uma criança alimentando a culpa a prejudica em muitos aspectos.

Compreenderá que é destituída de qualidades e que é incapaz de se adequar ao ideal que esperam dela.

Concluirá que não merece amor.

Essa desvalorização pode levar ao ódio a si mesma, a violência auto-punitiva e a uma raiva reprimida contra os outros.

Atitudes a serem buscadas por quem quer se descobrir um educador que nutre o que há de melhor na criança

  • Dedicar atenção escutando a alguém é validar a pessoa humana;
  • Trabalhar consigo para buscar coerência, como um modelo que busca viver o altruísmo. Pais engajados em ações de cuidado com outros tem maior probabilidade de verem seus filhos agirem do mesmo modo. Há uma herança transgeracional que é transmitida. Pais que privilegiam um estilo de vida competitivo e egocêntrico também repassam essa herança.
  • Contribuir pelo diálogo para que se dê conta do impacto de suas ações ante os outros positiva e negativamente;
  • Proporcionar a criança a  oportunidade de  contribuir, de ser útil. A participação orientada nas atividades comunitárias ajudam a criança a integrar maneiras altruístas em sua conduta habitual. A participação dentro de casa, aprendendo a dar e receber é de extrema importância. Mesmo sem estar sob a supervisão de um adulto, crianças que exercitam ajudar mostram prudência em relação as pessoas que estão cuidando.

Consequências trágicas da privação de afeto

blog_criançatriste3Pesquisadores encontraram a correlação clara entre crianças vítimas de violência e o baixo nível de empatia e de sociabilidade.

Além dos resultados em doenças físicas, crianças feridas tem duas vezes mais riscos de sofrerem de depressão e de outros transtornos, durante a adolescência e a vida adulta.

No melhor dos casos, com o auxílio de uma pessoa de confiança como demonstrou Boris Cyrulnik, as crianças chegam a manifestar capacidades de resiliência surpreendentes que lhes permitem cicatrizar suas feridas psicológicas e abrir-se a existência.

É importante destacar que muitas pessoas que sofreram maus-tratos na infância tornaram-se pais amorosos. Praticam o que se chama contra-modelagem: decidiram na adolescência ou mesmo antes, que fariam diferente dos adultos que os feriram.

Adolescência

A sociabilidade continua a se desenvolver da infância a adolescência.

Atividades voluntárias de cuidados com pessoas auxiliam no exercício do altruísmo e aumentam a responsabilidade do adolescente para com os outros, além de seu interesse por questões sociais.

Isso resulta em melhora no desempenho escolar e em menos problemas relacionais.

Amar é facilitar e apoiar

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É inegável que o grau de ternura que uma criança recebe na primeira infância influencia profundamente no resto de sua existência.

Adultos que amam suas crianças necessitam buscar desenvolver e expressar o que de melhor tem em si, a fim de manifestar afeição, benevolência a suas crianças e adolescentes, bem como com aqueles que estão sob seus cuidados na comunidade. Elas são testemunhas e aprendem principalmente com o que observam e sentem.

O investimento para realizar educação é um longo processo que começa na transformação de si mesmo.

Se reconhecermos que a criança nasce com uma tendência inata a empatia e ao altruísmo, a educação servirá para acompanhar e facilitar  o desenvolvimento dessa predisposição.

O processo educativo consistiria em preservar essas tendências naturais para cooperar e oferecer condições para que a criança desenvolva o sentido da auto-proteção, sentindo-se digna como os outros, sem inculcar valores individualistas.

Uma educação transformadora necessitaria colocar ênfase na percepção da interdependência entre os seres, para o desenvolvimento da responsabilidade pela sociedade da qual faz parte, enfatizando a cooperação ao invés da competição e a solicitude ao invés da indiferença.

Síntese baseada no livro “A Revolução do Altruísmo”, de Mattieu Ricard,  Editora Palas Athena, 2016

Por Lena Cristina Barros Mouzinho – 12.05.2017  

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