Emoções: sinais na trilha secreta.

Divertida-Mente-Pixar

Humanos, somos como bosques misteriosos para nós e portanto para os outros também.

Pouco conhecemos sobre nossas pouco exploradas infinitas possibilidades.

Para aprender a nos gerir, necessitamos empreender, com a atenção focada na auto-observação, uma viagem exploratória interior.

Quando aprendemos mais sobre nós, podemos desenvolver uma comunicação rica e clara conosco e com os outros, o que facilita o trânsito das pessoas que elegemos como pares na convivência cotidiana: “embrenhando-te por aqui, vás dar num lago de águas cristalinas e frescas; por ali, chegarás numa clareira colorida pelos raios solares onde das antigas árvores pendem as mais belas orquídeas mas…se entrares pelo lado de lá, vás encontrar uma caverna escura e fria…lá mora um animal assustado que, para manter-se protegido do que sente que o ameaça, torna-se muito feroz com quem se aproxima…cuidado!…”

Decifrando a nós mesmos para nós, tendemos a construir laços mais confortáveis conosco e com os outros. E este é um processo infindo. Um desvelar eterno.

Para explorar este território desconhecido, contamos com o “auxílio luxuoso” das emoções: uma poderosa sinalização na trilha interna.

Emoções acontecem em nosso corpo e por ele são sentidas.

São sempre uma comunicação de nós para nós mesmos.

O corpo, leal e sábio mensageiro, se expressa numa linguagem que só temos condições de compreender claramente, se acendermos e focarmos para ele, o potente farol chamado atenção.

diAcender e focar o “farol” significa observar, sem julgar, os fartos sinais oferecidos pelo corpo: ritmo e profundidade da respiração, batimentos cardíacos, temperatura da pele, tensões musculares, sensações…

Usamos metáforas que expressam a percepção dos sinais emocionais: “cabeça quente”, “nó na garganta”, “aperto no peito”, “embrulho no estômago”, “peso nos ombros”, “soco no estômago”, “frio na espinha”…

Emoções podem emergir de uma lembrança, de uma fantasia sobre o futuro ou do nosso contato com um fato do presente.

Algo acontece, fazemos uma interpretação à respeito, um julgamento, uma avaliação mental automática – conteúdos dos pensamentos – e é este “olhar” que vai desencadear as reações corporais chamadas emoções: alegria, tristeza, raiva, medo, nojo, ciúme, inveja, culpa, surpresa e outras…

Elas impulsionam nossas ações…que afetam os outros…que se comportam respondendo…ações que interpretamos e julgamos… nutrindo em nós emoções…que geram ações… que afetam os outros e…assim sucessivamente. Numa cadeia que funciona quase sempre no modo automático, na qual não sabemos exatamente definir por qual elo inicia…

Somos seres de escolhas

As emoções são, portanto, um sistema de reações ao como escutamos, olhamos, pensamos e interpretamos a nós, aos outros e ao mundo.

Mas, podemos decidir estar atentos e nos movimentar fazendo as melhores escolhas para usufruir da caminhada que é a vida.

A qualidade das nossas emoções depende do como escolhemos perceber, consciente ou inconscientemente, o que e como vivemos o que vivemos.

As belas emoções podem ser nutridas buscando-se garimpar a percepção das belezas essenciais da vida.

E para transformar emoções dolorosas e desconfortáveis podimage1emos escolher incluir às
nossas sombrias percepções, outras; olhar por outros prismas; escutar como outras pessoas interpretam a mesma situação…enfim, podemos transformar nossos pensamentos antigos, nossas “verdades entalhadas em pedra” em outras formas de “olhar”.

Então, seguindo os “sinais”, podemos chegar a uma compreensão mais profunda de nosso estado emocional e escolher alimentá-lo ou transformá-lo.

E, se continuarmos mergulhando nestas claras pistas, chegaremos a uma dimensão importante para nos conhecer mais e amadurecer relacionalmente: a identificação de nossas necessidades.

As necessidades humanas são universais. Elas nos assemelham.

Aquelas que precisamos satisfazer para viver de forma mais plena.

Aquelas pelas quais precisamos nos responsabilizar pela satisfação, com atento auto-cuidado.

Aquelas que, quando não nos sentimos em condições de atendê-las no momento e elas continuam pulsando vivas dentro de nós, temos a opção de transformar em pedido claro e expressar para outros, mobilizando o sistema de apoio do qual fazemos parte.

Sim…fazemos parte de uma abundante e rica Teia Viva.

Nela vivemos a possibilidade de dar e receber, exercitando a cooperação que a mantém viva e saudável.

Se buscarmos descobrir, dentro de nós, o que necessitamos de essencial para nos fazer feliz, podemos acessar a Teia Viva, com respeito a ela, para nos satisfazer.

Bem nutridos, satisfeitos, podemos torná-la mais abundante ainda, com nossa contribuição.

Belém, 17.06.2016

Lena Cristina Barros Mouzinho

 

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