O FAROL E O OCEANO

Todos nós queremos viver bem conosco e com os outros, não é?

Texto: Lena Mouzinho

Para que possamos contribuir com uma convivência com mais confiança e prazer, urge assumirmos responsabilidade por nós mesmos, pela satisfação de nossas necessidades, por nossas escolhas e caminhos e pela gestão de nossos estados de humor e emoções.

Nossas emoções funcionam como a matéria prima com a qual tecemos vínculos relacionais. Delas emergem os comportamentos com os quais interagimos e influenciamos na Teia Viva da qual fazemos parte.

Sim! Somos nós os artesãos de nossos laços com os outros, com o Mundo.

Foto: Amanda Mello
Foto: Amanda Mello

Assumir responsabilidade por si é a postura contrária à da “vítima eterna”.

Aquele que se fixa no papel da “vítima” é movido predominantemente por mágoa, culpa, auto piedade e/ou revolta, explícitas ou camufladas.

Costuma pensar e dizer “que mundo ruim é este em que vivo?”, “ninguém me compreende”, “eles não reconhecem meus esforços”, “não me valorizam”, “não sei porque surgem tantas pessoas para atrapalhar meu caminho?”, “os outros me fazem mal”, “dou tanto e recebo somente ingratidão em troca”, “sou incapaz e insignificante”, “quanto azar na minha vida”… etc…etc…

Reclamam, queixam-se quase sempre de tudo, de todos e cobram sempre que encontram espaço.

Optar, mesmo que inconscientemente, por cristalizar-se no lugar de vítima nas relações, leva a pessoa a viver sob intenso estresse. Corre muito e avança pouco em seus objetivos. Isso quando os tem claros. Ou, pelo contrário, como pressupõe que quem precisa mudar são os outros e o mundo, arrasta-se, dia após dia, entediado, na acomodação típica de quem considera que nada mais tem a fazer, a não ser esperar, desesperar-se e prostrar-se, movimentando-se num círculo vicioso.

Quem se apega a esse lugar portanto, esculpe-se um ser infeliz. Até adoecer. E tende a contagiar quem e o que o cerca.

Foto: Amanda Mello Uma boa noticia? Sempre podemos acordar outras possibilidades em nós, a cada movimento respiratório, e aprender a construir felicidade.

Como acontece com todos os outros seres da natureza é possível nos movimentar em busca de bem estar e satisfação.

O ponto de partida para tal? Descobrir-me, decifrar-me, desvelar-me.

Conhecer meus encantos recônditos para desabrochar. Conhecer minhas necessidades para providenciar auto-cuidado. Conhecer minhas emoções para geri-las. Conhecer crenças que me movem e que se manifestam em padrões de pensamentos automáticos, com frequência, originando emoções e comportamentos.

Como um artesão pode produzir belezas se não conhece a matéria prima de que dispõe e se não explora alternativas outras para inovar e surpreender-se com sua criatividade?

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Somos um oceano misterioso para nós mesmos. Sabemos, quando muito, sobre uma imagem-rascunho que construímos a respeito de nós mesmos para ocupar espaços no mundo. Uma imagem ilusória a qual nos apegamos de tal forma que, quando é questionada pelos outros, nos sentimos inseguros e abalados por acreditarmos que ela é tudo o que somos. Somos seres de infinitas possibilidades. Há tantas dimensões nossas que não percebemos e que não vemos que não vemos!

Para dar conta da jornada auto-exploratória é fundamental desenvolver Auto-observação.

A atenção é como um farol de luz potente, inerente a todos os humanos. Para realizá-la, possuímos um equipamento sensorial altamente sofisticado, que ainda hoje é sub-utilizado.

Comumente a focamos para observar o mundo a nossa volta.  E ainda assim, de forma prejudicada pela tendência de nos apegarmos mentalmente ao passado ou de tentar inutilmente controlar o futuro.

Observar com eficiência exige o estar no aqui-e-agora.

Auto-observar é ação que implica em atentar para dentro de nós. Para o precioso corpo onde a vida se realiza em conexão com outros corpos. É o corpo quem nos dá, o tempo todo, informações sobre como estamos emocionalmente, sobre nossas necessidades a serem satisfeitas, além das sábias orientações sobre o que precisamos fazer para zelar pelo cuidado com nosso bem estar.

Auto-observação implica em seguir “olhando” e “escutando” a trilha formada por estas informações e a partir delas, transformar a forma como nos relacionamos conosco, com os outros e com o Mundo.

farol

É viver a experiência de sentir-se o potente farol e, ao mesmo tempo, o oceano a ser esquadrinhado, sondado e explorado em suas riquezas, a serviço da busca de realizar a melhor conexão com o Todo.

 

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